terça-feira, 19 de junho de 2012

História 1 - O reencontro

Esta é a história da Barbara. Vou Fazer uma breve apresentação e introdução ao seu pequeno mundo, enquanto conto a sua história....

Sexta-feira:

O dia tinha terminado, todos os afazeres estavam feitos, e estava na hora do tão desejado descanso do guerreiro.

Nessa noite em especial, Barbara estava cansada, mas não lhe apetecia estar só. 

Pensou em sair mas... 
Olhou desanimada para a porta. Estava um frio de rachar lá fora, e não tinha parado de chover o dia inteiro.
Nesse momento o sofá pareceu-lhe mais apelativo!

Suspirou fundo e foi tomar banho.

O banho fez-lhe bem, estava relaxada, estirou-se preguiçosamente no sofá a ouvir a lenha que estalava na lareira.

Pegou no comando e começou a fazer zaping, parou os olhos alguns segundos num canal, e logo voltou a mudar.
Estava aborrecida e nada lhe chamava a atenção. Desligou a TV e começou a pensar.

Já fazia muito tempo que estava sozinha, e sempre que não tinha nada combinado com os amigos, custava-lhe a passar o pouco tempo que tinha livre.

Lembrou-se de ver se alguém estava on-line na sua rede social, para poder deitar um bocado de conversa fora.

Pegou no computador e iniciou sessão, enquanto mordiscava uma maça.

-Não, ninguém... Nem os chatos do costume!

Empurrou o computador para baixo e recostou-se novamente em silencio a olhar o tecto.

De súbito um som tirou-lhe o olhar do vazio, e fez com que o seu companheiro de habitação, um gato pachorrento e molengão chamado Rubi, se espreguiçasse e fosse embora.

Um conhecido com quem não tinha grande intimidade, e que já não falava há bastante tempo tinha iniciado sessão.

Pensou por instantes se deveria meter conversa ou não.

De novo um som voltou a irromper no ar. Era ele a iniciar conversa.

-Olá! Tudo bem? Há quanto tempo!
-Olá! Comigo está tudo! E contigo?
-Também! Desculpa estar a ser tão directo, e não fiques com a ideia errada mas... Precisava de te pedir um favor
-Sim, qual? (perguntou um pouco desconfiada. Já não falava com ele há séculos! O que poderia ele querer?)
-Ainda tens aquele gato malandro?

Com esta pergunta, Barbara começou a franzir o sobrolho, ele não era propriamente "amigo" do Rubi, da última vez que os dois se cruzaram, ele pisou-lhe sem querer tantas vezes o rabo, que ela começou a achar que era impossível ser por acidente.

-Tenho sim! Porque?
-Precisava que me indicasses um bom veterinário...
-Porque? Planeias visitar-me ou pisas-te novamente um gato varias vezes? (respondeu com tom irónico)
-lol.. Nada disso! Ainda te lembras desse incidente? Foi sem querer... A sério que foi! Espero que não continues zangada...
-Não,está tudo bem! Estava a ser mazinha...
-Ufa! Ainda bem!
-Mas para quê queres um veterinário?
-É que... ofereceram-me um cachorrinho. Precisava de o vacinar e ver se está tudo bem com ele, por isso preciso de um veterinário. Como sei que adoras esse gato preguiçoso, e nunca o irias pôr numas mãos quais-quer, acho que és a pessoa ideal, para me aconselhares.

Sinceramente o Óscar era um tipo difícil de descrever. Era meio tímido, mas ao mesmo tempo bastante popular. Tinha tanto de inteligente como de despassarado e desastrado, o seu jeitinho nervoso, dava-lhe um ar de "Bichinho carpinteiro". Em termos de beleza... tinha-lhe passado ao lado! Era magro, tinha um corpo bem feito, ligeiramente musculado,e os amigos costumavam gozar com ele por causa da sua altura, considerada baixa de mais para um homem. Tinha um excelente sentido de humor, e um "je ne sais quoi" que fazia com que se gostasse dele quase de imediato.  
No seu todo era uma personagem e tanto!

-Já te mando uma mensagem com o telefone... Ainda tens o mesmo numero?
-sim, ainda é o mesmo
-Então... Agora tens alguém a olhar por ti..? lol
-Podes crer! Pobre do bicho :-) Mas não se pode queixar muito, podia ser pior!
-Pois... Podias ter um gémeo, e esse gémeo estar a morar contigo :))

As insinuações maldosas de parte a parte continuaram, e prolongaram-se noite dentro.

(continua)